ÍNDICE
1 APRESENTAÇÃO CONTEXTUAL
2 O LIVRO “LÚPUS SEM MARTÍRIO”: APRENDIZADO, ESPIRITUALIDADE E AMOR À VIDA (NA ÍNTEGRA)
3 ENTREVISTA DO MÉDICO REUMATOLOGISTA DR. EYORAND ANDRADE CASTELO BRANCO SOBRE ESTA OBRA
APRESENTAÇÃO CONTEXTUAL
A OBRA “LÚPUS SEM MARTÍRIO” TORNOU-SE UMA GRANDE MISSÃO QUE CONTINUA, PARA AJUDAR A ALGUÉM.
A minha tarefa ainda não terminou com a publicação deste livro, “Lúpus sem martírio: aprendizado, espiritualidade e amor à vida”. É pura verdade que este trabalho para a minha alma é mais que um livro: é uma missão.
Se Deus me deu tanta coragem (a coragem é consequência da Fé) para eu ir avante sempre, não importando as dificuldades, obstáculos... as pedras do caminho, hei de sobreviver à mais dura e cruel lição da vida, que é a da perda de entes queridos: a minha mãe.
Estou aqui, vivendo, criando, produzindo algo. Qualquer coisa, simples ou não, pouco interessa se for para ajudar a alguém: um livro, um sorriso, um abraço, ouvindo-as.
Estou na luta de me evoluir e tento conscientemente me policiar, objetivando me aperfeiçoar. A vida é passageira demais; é impossível em uma só existência conseguir a perfeição, pelo menos eliminar os sentimentos inferiores como o ódio, mágoa, ressentimentos... O grande Chico Xavier dizia: “Sou um verme. Como definir Deus e me comparar à sua perfeição?” E diz ainda: “Se o verme falasse, certamente agradeceria ao Sol que lhe dá vida, e a todo o Universo...”.
O segredo da vida, da felicidade, é humildade e caridade; mas a caridade pela caridade, tão pouco não é? Porque será que, para a grande maioria, é tão difícil?
Estou seguindo em frente, tentando seguir melhor os ensinamentos, pois acredito estar alegrando a Deus, à minha mãe, minha rainha Hilda, e a mim mesma.
Através da minha própria vida, embora com inúmeras limitações, posso ajudar ao Mundo, a partir do íntimo do meu coração: a vida é linda, maravilhosa; vale ser vivida de maneira construtiva, semeando otimismo, a verdadeira amizade e compromisso, procurando ser feliz; e só é possível ser feliz quando se consegue fazer os outros felizes.
Na tragédia, na dor, é possível ver que ainda existem os valores eternos: amor, solidariedade.
Janeiro de 2011. Essa tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, muito me sensibilizou com a dor dos que perderam seus entes queridos, todo o material e eles falam ao repórter que “não tenho mais nada, mas tenho fé em Deus para recomeçar”. Isso é prova que Deus existe! Em meio a tanta tragédia (descaso da maioria dos representantes políticos brasileiros) todo ano é a mesma coisa.
A minha enfermidade, as minhas dificuldades são reduzidas a quase nada. A dor, para os que aprendem a lidar com ela, é a mestra de todas as mestras.
Saio de mim, dos meus problemas e vejo que sou capaz de ajudar outros que estão na verdade em situação mais difícil do que a minha.
Um dia, um amigo fraterno me falou:
“Professora, o pior sentimento que alguém pode sentir por nós, chama-se ‘piedade’; portanto, não queira ser vítima, a coitadinha. Todos nós possuímos potencial; desenvolva, se sinta útil, ajude a alguém. Isto é verdadeiro: seja qual for sua enfermidade, tenha fé, que irá ter coragem para nunca desistir de lutar”.
A vida é luta, batalha; termina uma, vem a próxima; o importante é saber administrar cada batalha e ter perseverança.
No Prefácio escrito por Emmanuely Dantas Macedo G. Santana, ela consegue entender o objetivo desta obra, pois, ao escrevê-lo, estava no âmago da minha alma. A capacidade dessa jovem acadêmica de Medicina muito me impressionou ao conseguir ler a minha íntima pretensão. Com certeza, essa capacidade é um dom de Deus, é tamanha a sua sensibilidade quando assim comenta:
“Apesar de ter elaborado um livro autobiográfico, Hilma Freire consegue expressar em seus textos um pouco da vida de cada um de nós — nossos medos, angústias, fraquezas, fé e esperanças —, tornando esta obra imensamente rica, não apenas aos portadores de Lúpus ou profissionais da Saúde, mas a qualquer pessoa que tenha a capacidade de emocionar-se e de encantar-se com o espetáculo da Vida. [...] É uma homenagem à vida, à vida como é: com suas alegrias, tristezas, desilusões, erros e acertos, dores e aprendizados...”.
Quando intencionamos praticar um ato, uma ação, atitude, um trabalho honesto, sincero, da alma pura, visando ajudar ao próximo, todo o Universo conspira a favor, tudo tem um “final feliz”.
Fui abençoada na Apresentação sob o título “Renascer das cinzas” — um presente do meu amigo fraterno Promotor de Justiça, Escritor e Poeta Dr. Edilson Santana; na “Orelha”, pela presidente do Grupo de Apoio aos Pacientes Reumáticos do Estado do Ceará (Garce), Dra. Marta Maria Serra Azevedo; e com a Epígrafe, escrita pelo meu amigo Valdir Loureiro — que, no seu modo peculiar de intervir com divagações, valoriza a gratidão, cultivando-a e dizendo que “ela é uma paixão da alma, segundo o filósofo René Descartes” e acrescenta que a mesma provoca intensa alegria na pessoa que a recebe. A propósito, esta obra contém um texto intitulado “Aprendendo sobre a gratidão”.
Nada é como um “passe de mágica”; foram cinco anos de trabalhão, força de vontade e determinação — elementos essenciais para vencer a violência dos vendavais e a impetuosidade das ondas; nada foi capaz de me desanimar, muito menos de tirar a estabilidade do meu objetivo.
É necessário possuir a alegria da alma; a saúde me é limitada, mas não a minha capacidade de viver intensamente cada instante, construindo, edificando... Foi uma das heranças que a minha mãe, a minha rainha, me deixou: acreditar no amor sublime de Deus e que não é o espaço nem a extensão do tempo que fará uma pessoa feliz, mas a intensidade que se dá a cada segundo da vida, dando alma a tudo ou qualquer trabalho que ora estiver fazendo.
Para o meu maior orgulho, esta obra teve a participação da minha mãe: eu gravava os textos, ela ouvia e dizia “filha, melhore esta frase; filha, você repetiu”. Só ela conhecia o livro e muitas vezes me perguntava:
“E amly? como está hoje?” Amly é Hilma ao contrário. Ficaria difícil eu escrever sobre mim mesma. Certa vez, estando eu hospitalizada, já muito doente, ela me dizia: “Não a quero triste; sempre se lembre de sorrir. Que seja sempre otimista e ‘ame a Deus sobre todas as coisas’ e que continue o seu tratamento com o meu amigo querido Dr. Eyorand Andrade. É... ele é meu amigo, Maria Hilma, e você sabe disso”.
Em todas as vezes que eu precisei me internar, a minha mãe sempre esteve comigo; eu me internava em um dia e só saía com quinze dias, por exemplo; ela também só saía comigo. Dr. Eyorand não via problema, porque, se fosse preciso, ele cuidaria dela também. Obrigada, Dr. Eyorand.
Muita gente amiga e alentadora faz parte da minha vida. O Lúpus provou-me que, apesar de um mundo cruel, consumista, de interesses pessoais, inveja, falsidade, ódio, corrupção..., ainda existe a verdadeira amizade e ninguém nunca vai tirar o poder de Deus, esse que alenta os que sofrem...
Dr. Eyorand Andrade Castelo Branco (Reumatologista) diagnosticou o meu problema e é o “meu médico” desde maio de 1987; quem me conhece é impossível não ouvir falar sobre ele. Essa confiança que sinto, esse amor fraternal, muito me ajuda no meu tratamento, na minha luta como Sobrevivente.
O médico competente, conhecedor do papel que assume no mundo, se não for Humanista, tudo o que aprendeu nada vale, de nada serve.
Agradeço a Deus por ter colocado esse médico no meu caminho. Não é fanatismo: é fato; e todos os outros médicos de outras especialidades de que precisei e preciso, todos, foram indicados por Dr. Eyorand. Há pouco tempo, fiz três cirurgias de vértebras com Dr. Marcelo Otoch; foi outro anjo humanista que Deus me presenteou.
A minha luta maior é para que todos os profissionais de saúde sejam além de competentes, humanistas, e que lembrem sempre que o paciente é um ser humano.
Jamais eu poderia deixar de falar no amor, na gratidão, na minha admiração ao médico cardiologista Dr. Meton Soares de Alencar Filho (Barbalha – CE): outro grande humanista, generoso, amigo, que cuidou da minha mãe, minha rainha Hilda Alves Freire, como se fosse a sua própria mãe; “filho amoroso...”; não é à toa que, no agradecimento deste livro, agradeço a Deus, ao Dr. Meton e ao meu pai, Luis Freire do Nascimento.
O lançamento desta obra em Missão Velha – CE foi no dia 4 de julho de 2009, na Capela de São Francisco, com a participação do Pároco Joaquim Ivo Alves dos Santos. Como não agradecer tanta generosidade, paciência... a sua boa vontade, entusiasmo me fez ver como é fácil sentir a presença de Deus nas luzes do mundo.
Hoje, nada mais temo. O lúpus me fez crescer espiritualmente, dando valor a tudo o que parece comum e consigo agradecer a Deus até pelo sofrimento.
Viver não é fácil, mas é possível. O Mundo possui muitas coisas negativas, mas também positivas. O livre-arbítrio existe; dependerá de cada um de nós.
Aprendi que não tenho inimigos, não tenho adversários; os meus inimigos, os meus adversários sou eu mesma. Se eu trabalhar o meu interior para construir a minha paz espiritual, nada irá me ferir e nem me fará parar de lutar.
Contudo, é essencial sentir a presença de Deus, mesmo nas sombras que ora a vida me apresenta.
Acredite: suas limitações não são irreversíveis; se pensa ao contrário, será escravo das mesmas até o resto da sua vida. Se, contudo, você determinar transcendê-las com consciente esforço e “pertinaz persistência”, verá que seu “sonho de ideal” será transformado em sua verdade real e assim você poderá vir a ser “a pessoa que antes acreditava que só os outros podiam ser”. Saiba que os recursos necessários para concretizar essa metamorfose estão com você, em você e só você poderá acioná-los em seu direto benefício.
Se você reconhecer nos obstáculos as oportunidades de desafios para aprender e provas para avaliar o nível de suas conquistas espirituais, eles perderão a força de ataque e você ganhará o poder de defesa.
Sinceramente
Maria Hilma Freire
“Jesus é a luz do Mundo”
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